quinta-feira, novembro 12, 2015

Pegando carona no post da Lola

A propósito do post sobre prostituição na Ásia publicado no blog da Lola, no qual é mencionada minha formação em jornalismo, gostaria de esclarecer que não escrevi aquele texto enquanto jornalista. Óbvio que carrego esse faro jornalístico dentro de mim, mas o texto urgia ser escrito pela minha condição de mulher, observadora, crítica, analítica e, sobretudo, turista. Bem como a segunda parte, que está por vir, sobre escravas sexuais.

Não milito pela causa feminista, ao menos não que eu saiba, mas sempre procurei ser fiel e coerente a minha concepção de liberdade. Por exemplo, nunca reprimi, nem fingi orgasmos, sempre falei abertamente sobre sexo,  acho uma babaquice machista esse discurso de mulher não pode dar na primeira vez, fiquei chocada com a pesquisa que relata que a maioria dos homens têm nojinho de fazer sexo oral na parceira, o que para mim é uma ótima triagem para descobrir se é um potêncial futuro namorado. Sempre pequei pelo exagero à repressão. E o ato sexual não é um favor, mas sim uma troca igualitária com fins hedonistas.

Evidente que por ser assim sofri uma série de preconceitos e algumas situações perigosas, o que não vem ao caso relatar. Também tive experiências incríveis e aprimorei meu autoconhecimento. Conheci homens abertos ao novo e outros ultra babacas que tentaram me humilhar por não saber lidar com minha liberdade.  O mais importante é que isso não foi suficiente para recalcar meu DNA errante e ousado, nem me traumatizar a ponto de me fechar ou deixar de planar pelo mistério que é a vida.

E mesmo tendo esse curriculum vitae cheio de altos e baixos, mergulhando às vezes em águas turvas, ainda assim me vi sendo machista em inúmeras situações, sobretudo ao escolher parceiros 
sexistas. 

O que muita mulher faz, defende os próprios direitos, mas escolhe um parceiro que os desvalida, tratando-as com desprezo. Um exemplo  clássico é a mulher de malandro, tão difundida em nossa cultura. Ou o dedo podre.  Quem nunca? Aceitar um homem cafajeste, ou colocá-lo num pedestal, como o grande conquistador, que consegue ter várias, na minha visão é uma maneira de abraçar o machismo.

A mulher precisa encontrar um homem que a escute verdadeiramente. A mulher precisa se escutar verdadeiramente, ir em busca de seu prazer e parar de insistir nesse formato que já foi combinado antes dela nascer. Buscar sua autenticidade. Parar de se vitimizar. Nós temos responsabilidade pelas nossas escolhas, então se você aceita que o seu homem seja violento, ou te desrespeite, a culpa também é sua. 

Os homens também precisam de ajuda. Não é fácil ser homem, tantas obrigações. Provedor da família, não pode mostrar sentimento, não pode chorar. Uma fortaleza feita de penas no mundo pós moderno. Cheio de hormônios e sem educação sentimental, até ai essa matéria não faz parte da grade currícular, tampouco da edução familiar.

Outro dia vi aquela feminista Camille Paglia falando. Segundo ela, o feminismo está falido e não evoluiu muito nos últimos anos. Homens e mulheres são diferentes sim, a começar pelo fato deles terem dez vezes mais testosterona do que a mulher. Isso os faz cheio de pelos e impulsos distintos aos da fêmea. Ás vezes os vejo como animais atrapalhados em busca de atenção, mas sem saber como. Existe até uma corrente de homens querendo se desacorrentar desses estereótipos.

Eu tô a pampa de subir em prédio para ser pedreira, ou na fiação elétrica, ou qualquer uma dessas profissões consideradas de macho. Adoro ser mulherzinha, falar assuntos femininos, fazer regime, me sentir gostosa, e dependendo do galanteio que ouvir na rua, se for espirituoso e singelo e eu estiver de bom humor, me agradará. Se for escrotão, vai um belo dedo do meio.

Penso que temos naturezas complementares, o famoso  in yang. O poder e a força da criação vem da mistura entre o feminino e o masculino. É ai que nasce e mora a criatividade. E isso não significa que você é obrigado a se relacionar com o sexo oposto, mas que você precisa sim fazer as pazes com o masculino e o feminino que existe dentro de você e de cada um de nós.