terça-feira, julho 02, 2013

Em busca do desconhecido


Faz algum tempo já que namoro a ideia de psicanálise via correspondência, e-mail,  talvez pelo fato de já ter deitado no divã por um bom tempo e não ter mais paciência para esse modelo, ao mesmo tempo ainda não desisti e nunca desistirei de desvendar, ao menos um pouco, as artimanhas do meu inconsciente. Ao mesmo tempo não é todo dia, ou toda semana com dia marcado, horário estabelecido e etc e tal que eu tenho vontade de expurgar minhas frustrações, medos, angústias, felicidades, constatações e tudo mais que envolve a minha psique. Por exemplo, agora mesmo escrevi duas vezes a expressão, ao mesmo tempo, não seria esse um lapso do inconsciente?  
Os textos não poderiam ser editados nem julgados. Seria um modelo de escrita livre, quase uma verborragia, onde é derramado aquele assunto que martela sua cabeça insistentemente, ou que te visita por meio de sonhos, ou que te faz perder o sono, enfim, uma vez desabafado, quase como uma espécie de diário secreto, esse conteúdo altamente revelador seria mandado a algum profissional do ramo, que desvendaria os sinais inconscientes daquele relato. Essa minha ideia faz ainda mais sentido quando pensamos em Lacan, linha com a qual sou familiar. Para Lacan a linguagem é instrumento essencial da psicanálise e através dela é possível chegar no inconsciente do analisado, e porquê não a escrita? 
Lembro que uma psicóloga respondia aos anseios dos pacientes em cartas mandadas para uma revista, e funcionava super bem, ela captava as mensagens subliminares dos e-mails e dava respostas certeiras, profundas e intrigantes. Gostaria de ouvir novamente uma  visão psicanalítica sobre as minhas questões, de alguém que ultrapasse o domínio da amizade, que tenha estudado a ciência difundida por Freud, mas voltar ao sistema anterior de tratamento não me interessa tanto, muitas vezes os melhores insights acontecem em momentos imprevisíveis e não exatamento no divã ou na cadeira do consultório.
Se treinarmos a liberação desse conteúdo por meio da escrita e o enviarmos a um profissional de confiança, não surtiria efeito?

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