quarta-feira, julho 10, 2013

Minha história

   Sempre fui apocalíptica.  A certeza da finitude, a falência da raça humana, a pobreza, a miséria, a ignorância.... regida pelos desenganos, deixei-me incendiar pela ideia do fim do mundo, ou ao menos do homem. Entrei em erupção e como um vulcão minhas lavas escorreram, quentes e escarlate, como sangue, porém inflamável. Das entranhas da terra explodi em mim mesma, meus pedaços viraram letras, frases e versos, todos magmáticos, mas não como rochas, pois ainda não esfriaram e são de outra matéria.
  Pensamento desconexos me afugentavam do centro de mim mesma, e como um oceano num maremoto inundei a tudo e a todos. Inundei minha alma com desesperança, não me deixei levar pela correnteza, insistindo em brigar com o mar e as ondas. Enfrentei tsunamis, fui até o triangulo das bermudas, não soube escutar os ventos e fiquei sem popa e rumo. Pensando ter encontrado o mapa certo, acabei sem terra à vista, sozinha em águas escuras e salgadas.
   Ainda assim voltei à água, aquela dos primórdios do meu ser, de onde surgi, a água da bolsa, a água in útero, da barriga da minha mãe, à água da vida, do amor, do contato íntimo, da conexão vital, do extremo da dependência, do amor incondicional, da cooperação inexorável, da troca energética, água do desconhecido, água rica, água intra-uterina. E lá nadei dentro da bolsa, flutuei ligada ao cordão umbilical até que a misteriosa semente da vida me tornasse o que sou hoje.
    Tudo isso me fez lembrar da força da existência, do misterioso, do que não precisa fazer sentido pra existir, do pulsar, da batida, daquele que não explica porque veio, mas aqui está e é. Da certeza do infinito pra lá desse espaço.
   Foi então que decidi pegar o takissilunar e ele me levou para além  da lua, me levou para a via láctea, me levou ao buraco negro, me mostrou tudo o que conhecia e que ainda assim não é nem um grão de areia do que se conhece, me mostrou o invisível. E eu acreditei e vi.








terça-feira, julho 02, 2013

Em busca do desconhecido


Faz algum tempo já que namoro a ideia de psicanálise via correspondência, e-mail,  talvez pelo fato de já ter deitado no divã por um bom tempo e não ter mais paciência para esse modelo, ao mesmo tempo ainda não desisti e nunca desistirei de desvendar, ao menos um pouco, as artimanhas do meu inconsciente. Ao mesmo tempo não é todo dia, ou toda semana com dia marcado, horário estabelecido e etc e tal que eu tenho vontade de expurgar minhas frustrações, medos, angústias, felicidades, constatações e tudo mais que envolve a minha psique. Por exemplo, agora mesmo escrevi duas vezes a expressão, ao mesmo tempo, não seria esse um lapso do inconsciente?  
Os textos não poderiam ser editados nem julgados. Seria um modelo de escrita livre, quase uma verborragia, onde é derramado aquele assunto que martela sua cabeça insistentemente, ou que te visita por meio de sonhos, ou que te faz perder o sono, enfim, uma vez desabafado, quase como uma espécie de diário secreto, esse conteúdo altamente revelador seria mandado a algum profissional do ramo, que desvendaria os sinais inconscientes daquele relato. Essa minha ideia faz ainda mais sentido quando pensamos em Lacan, linha com a qual sou familiar. Para Lacan a linguagem é instrumento essencial da psicanálise e através dela é possível chegar no inconsciente do analisado, e porquê não a escrita? 
Lembro que uma psicóloga respondia aos anseios dos pacientes em cartas mandadas para uma revista, e funcionava super bem, ela captava as mensagens subliminares dos e-mails e dava respostas certeiras, profundas e intrigantes. Gostaria de ouvir novamente uma  visão psicanalítica sobre as minhas questões, de alguém que ultrapasse o domínio da amizade, que tenha estudado a ciência difundida por Freud, mas voltar ao sistema anterior de tratamento não me interessa tanto, muitas vezes os melhores insights acontecem em momentos imprevisíveis e não exatamento no divã ou na cadeira do consultório.
Se treinarmos a liberação desse conteúdo por meio da escrita e o enviarmos a um profissional de confiança, não surtiria efeito?